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Os gatos ajudam os donos? Um estudo pôs cães, gatos e crianças pequenas à mesma prova

30 julho 2026 · Investigação

Investigadores húngaros observaram 38 cães, 22 gatos e 19 crianças pequenas enquanto alguém conhecido procurava uma esponja escondida. A maioria dos cães e das crianças ajudou; a maioria dos gatos só ficou a ver. O que isto diz, e não diz, sobre o teu animal.

Uma esponja escondida e alguém que não a consegue encontrar

Em fevereiro de 2026, a revista Animal Behaviour publicou um estudo cujo título soa a discussão encerrada: «Dogs' behaviour is more similar to that of children than to that of cats in a prosocial problem situation» (o comportamento dos cães é mais parecido com o das crianças do que com o dos gatos numa situação-problema pró-social). O trabalho saiu da Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, e do HUN-REN-ELTE Comparative Ethology Research Group, com Melitta Csepregi como primeira autora e Márta Gácsi como autora sénior. O desenho foi propositadamente doméstico. Uma pessoa conhecida (um dos pais, no caso das crianças, e o dono, no caso dos animais) escondeu uma esponja da loiça à vista do sujeito e depois procurou-a, repetindo «Não a encontro. O que é que eu faço?». Ninguém pediu ajuda, nada foi recompensado e nenhum dos animais tinha sido treinado para a tarefa. Em três ensaios, a esponja ficou cada vez mais fácil de alcançar: primeiro inacessível e tapada, depois visível mas fora de alcance, por fim totalmente acessível. A única pergunta era se o sujeito se oferecia para ajudar.

Cães e crianças pequenas intervieram, os gatos ficaram a ver

Os grupos eram pequenos, como é habitual em etologia comparada: 38 cães de companhia sem treino, 22 gatos e 19 crianças entre os 16 e os 24 meses. Segundo o resumo dos resultados feito pelos investigadores, mais de 75% dos cães e das crianças indicaram onde estava a esponja ou foram buscá-la e trouxeram-na, apesar de não terem treino, não receberem recompensa e procurarem um objeto que nada lhes dizia. Os gatos raramente fizeram uma coisa ou outra. Não estavam alheados, e é esse o pormenor a reter: a cobertura do estudo é unânime em que os gatos prestaram atenção à situação, seguiram a pessoa que procurava e depois ficaram onde estavam. O desempenho das crianças pesa mais do que parece, porque servia para validar o método, não para fazer título. Como explicou Csepregi, já se sabia que as crianças ajudam nesta idade, por isso o facto de terem agido em linha com estudos anteriores «confirmou que o nosso método e o dispositivo experimental eram adequados para medir o comportamento pró-social».

Os gatos agiram, quando o objeto valia a pena

O resultado que complica o título veio num ensaio adicional, em que a equipa trocou a esponja por algo que o gato queria mesmo, um petisco ou um brinquedo preferido. O comportamento dos gatos mudou: agiam mais vezes quando o objeto escondido lhes interessava pessoalmente. Isso desloca a conclusão de uma falta de capacidade para uma diferença de motivação. Uma esponja não vale nada para um gato, por isso um humano que não a encontra não é um problema do gato. A autora sénior, Márta Gácsi, tirou a conclusão mais ampla com cuidado, notando que os resultados sugerem que «a domesticação, a partilha da nossa casa e a formação de laços estreitos não bastam para produzir um comportamento de ajuda espontâneo, semelhante ao humano». A explicação da equipa aponta para a história, não para o carácter: os cães descendem de antepassados sociais e cooperativos, enquanto os gatos vêm de antepassados solitários e, em grande parte, domesticaram-se a si próprios, em vez de serem selecionados para cooperar com as pessoas. O registo genético encaixa neste quadro: o Max Planck Institute of Geoanthropology descreve o gato doméstico moderno como descendente sobretudo de Felis silvestris lybica, o gato-bravo africano ou do Próximo Oriente.

O que o estudo não diz sobre os gatos

Seria fácil arquivar isto como prova de que os gatos não querem saber de nós, mas a restante literatura não sustenta essa leitura. Com o Secure Base Test, importado da investigação sobre bebés humanos, Kristyn Vitale, Alexandra Behnke e Monique Udell relataram na Current Biology, em 2019, que os gatos mostram estilos de vinculação distintos em relação a quem cuida deles, com cerca de 65% dos gatos e gatinhos classificados como tendo uma vinculação segura, uma proporção muito próxima da registada em bebés humanos. Um estudo anterior do mesmo grupo, publicado na Behavioural Processes em 2017, deu aos gatos a escolha entre interação social com humanos, comida, brinquedos e cheiros, e concluiu que a interação social com humanos era a categoria preferida da maioria dos gatos, tanto de casa como de abrigo, com a comida em segundo lugar. Junte-se a isto a dimensão das amostras aqui, 38 cães e 22 gatos numa única tarefa doméstica construída em torno de um único objeto irrelevante, e o resumo honesto é mais estreito do que os títulos. Os cães oferecem ajuda de forma espontânea e os gatos, na maioria, não. É uma conclusão real sobre o comportamento de ajuda. Não é uma conclusão sobre afeto.

O que muda em casa: o cão trabalha contigo, o gato trabalha pelo prémio

A tradução prática não é um conselho novo, mas este estudo afina-o. Com um cão, o canal social está aberto por defeito, e é por isso que o treino com recompensa funciona tão facilmente e que o momento conta mais do que a generosidade: a recompensa tem de chegar um ou dois segundos depois do comportamento que querias, e uma bolsa à cintura é a diferença entre recompensar o momento certo e recompensar o que o cão fez a seguir. Com um gato, parte do princípio de que nada é de graça. Se queres que um gato participe, torna aquilo que ofereces valioso na economia dele, o que normalmente quer dizer comida que tem de ser conquistada, ou um brinquedo preferido movido como uma presa em vez de ficar largado no chão. Essa é também a resposta à queixa mais comum sobre brinquedos para gatos, a de que o gato não lhes liga: uma cana que um humano mexe a sério ganha sempre a um brinquedo no chão, porque o que importa é o movimento.

Os gatos podem ser treinados, e 100 gatos de abrigo mostraram até onde

Se os gatos parecem impossíveis de treinar, normalmente é porque ninguém tentou de forma sistemática com algo que o gato valoriza. Num estudo de 2017 na revista Animals, Lori Kogan, Cheryl Kolus e Regina Schoenfeld-Tacher treinaram 100 gatos de abrigo em quinze sessões de cinco minutos ao longo de duas semanas para executarem quatro comportamentos a pedido, e os resultados foram desiguais mas inequívocos: 79% dominaram o targeting (tocar num alvo com o nariz), 60% dominaram dar uma volta sobre si próprios, 31% dominaram o «dá cá mais cinco» e 27% dominaram sentar-se a pedido. Eram animais stressados, num abrigo, a aprender em cerca de uma hora e um quarto de treino no total. A mesma lógica aplica-se a uma sala de estar comum. Transforma parte da ração diária em trabalho com um comedouro-puzzle, mantém as sessões curtas e a comida de alto valor, e para enquanto o gato ainda está interessado. Um gato que não te vai buscar a esponja resolve na mesma um comedouro rotativo para jantar, e os dois factos dizem-te o mesmo sobre aquilo que o move.

Perguntas frequentes

Os gatos ajudam os donos?

Raramente, pelo menos na situação testada. Num estudo de 2026 na Animal Behaviour, mais de 75% dos cães e das crianças pequenas indicaram ou foram buscar um objeto que uma pessoa conhecida procurava, enquanto os gatos, na maioria, ficaram a ver sem agir. Os gatos agiram mais vezes quando o objeto escondido era algo que eles próprios queriam, o que aponta para uma diferença de motivação e não de capacidade.

Isto quer dizer que os gatos são menos apegados aos donos do que os cães?

Não, e outras investigações apontam no sentido contrário. Um trabalho publicado na Current Biology em 2019, com o Secure Base Test, concluiu que cerca de 65% dos gatos e gatinhos tinham uma vinculação segura a quem cuida deles, perto da proporção registada em bebés humanos, e um teste de escolha de 2017 mostrou que a maioria dos gatos preferia a interação social com humanos a comida, brinquedos e cheiros. Ajudar espontaneamente e ter vinculação são coisas diferentes.

Pode-se treinar um gato como um cão?

Até certo ponto, se a recompensa valer a pena para o gato. Num estudo com 100 gatos de abrigo, com quinze sessões de cinco minutos ao longo de duas semanas, 79% aprenderam a tocar num alvo a pedido e 60% a dar uma volta sobre si próprios, enquanto sentar-se a pedido foi o mais difícil, com 27%. Sessões curtas com comida de alto valor funcionam melhor do que sessões longas, e parar com o gato ainda entusiasmado importa mais do que cumprir o plano.

Fontes

Conselhos gerais, não aconselhamento veterinário. Se o teu animal parecer doente, com dores ou mudar de comportamento de repente, contacta o teu veterinário.